Casa e imóveis
Contratos imobiliários: quais existem e quando usar cada um
Cada operação imobiliária tem um contrato próprio, com efeitos jurídicos distintos. Usar o instrumento errado costuma custar mais caro que a operação inteira.
Os contratos mais usados
Compra e venda. Transfere a propriedade mediante preço. Quando lavrado por escritura pública e registrado na matrícula, encerra o negócio. Feito por instrumento particular entre particulares, gera apenas obrigação entre as partes.
Promessa de compra e venda. Compromete as partes a celebrar a compra futura, normalmente porque falta pagamento ou documentação. Quando irretratável e registrada na matrícula, gera direito real do promitente comprador, oponível a terceiros. É o contrato mais usado na compra parcelada direto com incorporadora.
Locação. Cede o uso mediante aluguel, sob a Lei do Inquilinato, que trata separadamente locação residencial, não residencial e por temporada.
Cessão de direitos. Transfere a posição contratual de quem tinha direito sobre o imóvel, sem transferir propriedade. Aparece quando o vendedor ainda não é o titular registrado.
Permuta. Troca de imóveis, com ou sem torna em dinheiro. Comum entre proprietário de terreno e construtora.
Doação. Transferência gratuita, sujeita a imposto sobre transmissão a título gratuito e a regras de legítima quando há herdeiros necessários.
Qual usar em cada situação
| Situação | Contrato adequado |
|---|---|
| Compra à vista com título registrado | Escritura de compra e venda |
| Compra parcelada, pagamento ao longo do tempo | Promessa de compra e venda registrada |
| Compra com financiamento bancário | Contrato do agente financeiro, levado a registro |
| Imóvel sem matrícula individualizada | Cessão de direitos, com risco a avaliar |
| Terreno trocado por unidades futuras | Permuta |
| Transferência familiar sem preço | Doação, com atenção à legítima |
Cláusulas que não podem faltar
Identificação completa das partes, com estado civil e regime de bens.
Descrição do imóvel conforme a matrícula, e não conforme o anúncio.
Preço, forma e cronograma de pagamento, com destino de cada parcela.
Condições resolutivas. O que acontece se a documentação apresentar pendência, se o financiamento for negado, se a avaliação sair abaixo do preço.
Posse: quando é transmitida e quem responde por despesas a partir daí.
Multa e juros por inadimplemento, para ambos os lados.
Responsabilidade por tributos e despesas até a data da entrega.
Prazo para lavratura da escritura e para o registro, com penalidade pelo descumprimento.
Cessão de direitos merece cautela extra
Nesse contrato, quem vende não é o proprietário registrado. Está transferindo uma posição contratual que ele próprio adquiriu de outro.
Isso exige verificar toda a cadeia até o titular da matrícula, confirmar que cada elo está documentado e que nenhum contrato intermediário proíbe a cessão sem anuência.
É a estrutura usada em áreas com pendência fundiária, e é onde o comprador assume o maior risco. O preço mais baixo é a contrapartida desse risco, não uma oportunidade.
Modelo pronto não substitui análise
Modelos genéricos servem para entender a estrutura. Não servem para fechar negócio de valor relevante.
Cada operação tem particularidade de estado civil, origem do dinheiro, situação da matrícula e forma de pagamento que exige adaptação. Contrato mal ajustado só mostra o defeito quando alguém descumpre, e nesse momento a correção já não é possível.
Fontes oficiais
- Lei nº 6.015/1973, registros públicos
- Lei nº 10.169/2000, emolumentos de cartório
Conteúdo revisado em 09/09/2026.
Modelos de contrato
O usuário precisa de modelo de contrato imobiliário pronto para adaptar.