Negócios e impostos
Guia para abrir um negócio: da formalização ao preço
A ordem certa evita o erro caro: entender o custo antes de formar o preço, e formar o preço antes de assumir compromisso fixo.
Etapa 1: validar o que você vai vender
Antes da formalização, defina com precisão o produto ou serviço, para quem ele resolve um problema e a que preço o mercado já paga por algo parecido.
Essa etapa não exige CNPJ nem investimento. Exige conversa com clientes potenciais e uma estimativa realista de quantas vendas por mês são plausíveis nos primeiros meses.
Negócio que só fecha a conta no cenário otimista não fecha a conta.
Etapa 2: escolher a forma jurídica e o regime
A natureza jurídica define responsabilidade e obrigações. O CNAE define quais regimes tributários você pode adotar e quais licenças precisa.
MEI, Simples Nacional, lucro presumido e lucro real têm faixas, obrigações e custos de conformidade diferentes. A escolha depende de faturamento projetado, folha de pagamento, margem e tipo de cliente.
Cliente pessoa jurídica costuma exigir nota fiscal e pode ter preferência por regimes que gerem crédito de tributos. Isso influencia a decisão tanto quanto a alíquota.
Essa é a etapa em que um contador se paga.
Etapa 3: mapear o custo fixo
Liste tudo o que sai por mês independentemente de vender: aluguel, energia, internet, software, contador, pró-labore, encargos, seguro, manutenção.
Se houver funcionário, o custo não é o salário. É o salário mais encargos, provisões de férias e décimo terceiro, benefícios e o custo eventual de desligamento.
O custo fixo mensal é o número que define o tamanho mínimo do negócio.
Etapa 4: formar o preço
O preço precisa cobrir o custo variável da unidade vendida, uma fatia do custo fixo e o lucro pretendido.
Custo variável inclui matéria-prima ou custo do serviço, frete, embalagem, tributos sobre a venda, taxa de meio de pagamento e comissão. Esquecer qualquer um deles cria margem imaginária.
Defina primeiro a margem que você quer sobre a venda e depois converta em markup sobre o custo. O caminho inverso é a origem mais comum de preço errado.
Compare o preço resultante com o que o mercado pratica. Se ficar acima, ou o custo está alto demais, ou o produto precisa justificar a diferença.
Etapa 5: calcular o ponto de equilíbrio
Divida o custo fixo mensal pela margem de contribuição unitária, que é o preço menos o custo variável. O resultado é quantas unidades você precisa vender por mês para não ter prejuízo.
Compare esse número com a estimativa realista da etapa 1. Se o ponto de equilíbrio estiver acima do que você acredita vender, o problema é estrutural e precisa ser resolvido antes da abertura, não depois.
Etapa 6: capital de giro e acompanhamento
Separe caixa para cobrir o período até o negócio se sustentar, contando prazo de recebimento e prazo de pagamento a fornecedores. Descasamento entre os dois quebra empresa lucrativa.
Depois de aberto, acompanhe faturamento, margem e ponto de equilíbrio todo mês. Os números da abertura envelhecem rápido.
Ferramentas deste assunto3 páginas
- CalculadoraLimite do MEITeto anual, cálculo proporcional no ano de abertura e as consequências do desenquadramento por excesso.
- GuiaAbrir CNPJO caminho da abertura, da escolha do tipo societário e do CNAE até o alvará, com custos e prazos de cada etapa.
- GuiaMEI x SimplesCompare carga tributária, obrigações e limites das duas opções para decidir o momento de mudar de regime.