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Três margens, três perguntas

O erro comum é falar em margem sem dizer qual. Cada uma responde a uma pergunta diferente e leva a decisões diferentes.

Margem bruta. Preço menos custo da mercadoria ou do serviço, dividido pelo preço. Responde se o produto tem espaço entre custo e preço.

Margem de contribuição. Preço menos todos os custos e despesas variáveis, dividido pelo preço. Responde quanto cada venda deixa para pagar os custos fixos.

Margem líquida. Lucro depois de tudo, inclusive custos fixos e impostos, dividido pela receita. Responde se o negócio dá lucro.

Uma empresa pode ter margem bruta boa e margem líquida negativa. Basta que os custos fixos consumam toda a contribuição gerada pelo volume vendido.

A margem de contribuição é a mais operacional

Custos fixos existem independentemente das vendas. Custos variáveis nascem com a venda.

A margem de contribuição isola exatamente o que cada unidade vendida acrescenta ao caixa antes dos fixos. É por isso que ela é a base do ponto de equilíbrio e da decisão de mix de produtos.

O que entra como variável: custo da mercadoria, matéria-prima, comissão, frete de saída, impostos sobre venda, taxa de cartão ou de plataforma, embalagem.

O que não entra: aluguel, folha administrativa, contabilidade, sistemas, energia da estrutura fixa.

Confundir esses grupos distorce todas as demais contas.

O que a margem percentual esconde

Margem alta em produto de baixo giro pode gerar menos lucro que margem baixa em produto de alto giro.

O que paga contas é margem em reais multiplicada por quantidade vendida. Um catálogo com margens percentuais uniformes costuma ser mal calibrado, porque ignora giro, capital parado no estoque e esforço de venda.

Vale calcular também a margem por hora de trabalho em negócios de serviço, e a margem por metro de prateleira ou por real de estoque em comércio. São medidas de retorno sobre o recurso escasso do negócio.

Desconto corrói margem mais rápido do que parece

Desconto sai inteiro da margem, não do preço proporcionalmente.

Se a margem de contribuição de um produto é estreita, um desconto pequeno consome uma fatia grande dela. Para manter o mesmo lucro em reais, o volume precisa crescer bastante, e o crescimento necessário sobe muito quando a margem original é baixa.

Antes de aprovar uma política de desconto, calcule quanto de volume adicional ela exige para empatar. Esse número costuma ser maior do que a intuição sugere e frequentemente é inatingível.

Revise as margens sempre que mudarem custos de insumo, tributação, taxas de meio de pagamento ou a estrutura de despesas fixas.