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Combustível é a despesa mais visível, mas raramente é a maior. Depreciação costuma ser.

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Carros novos deprecíam mais rápido nos primeiros anos.

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Custo fixo e custo variável

O custo fixo existe mesmo que o carro não saia da garagem: IPVA, licenciamento, seguro, garagem, financiamento e, sobretudo, depreciação.

O custo variável cresce com o uso: combustível, pneus, revisões por quilometragem, freios, óleo, pedágio e estacionamento avulso.

A separação importa porque muda a decisão. Quem roda pouco tem um custo por quilômetro altíssimo, porque o bloco fixo é diluído em poucos quilômetros. Quem roda muito diluiu o fixo, mas paga um variável grande.

A depreciação é o maior item, e o mais invisível

Um carro perde valor a cada ano, e essa perda é dinheiro real: é a diferença entre o que você pagou e o que vai receber quando vender.

Ela não aparece em nenhum boleto, o que faz quase todo mundo ignorá-la. Em veículos novos, costuma superar com folga o gasto anual de combustível.

O padrão de perda também não é linear. A queda é mais acentuada nos primeiros anos e vai se suavizando conforme o veículo envelhece, o que explica por que carros seminovos têm custo mensal de propriedade menor que zero quilômetro, ainda que gastem mais em manutenção.

Os itens que somem da planilha

Item Por que é esquecido
Depreciação Não gera boleto
Pneus Troca a cada vários anos, parece evento isolado
Revisões maiores Correia, embreagem, suspensão aparecem de uma vez
Seguro com franquia O prêmio entra, a franquia usada não
Garagem em casa Vaga no condomínio tem custo mesmo sendo própria
Multas e lavagens Pequenas e frequentes, somam mais do que parece
Custo de oportunidade O dinheiro parado no carro deixa de render

Somar apenas combustível e parcela produz um número que subestima muito o custo real.

Financiado, à vista ou nenhum dos dois

No financiamento, os juros entram como custo explícito. Na compra à vista, o custo equivalente é o rendimento que aquele capital deixou de gerar. Comparar as duas formas ignorando isso favorece artificialmente a compra à vista.

Uma vez apurado o custo mensal real, a comparação seguinte fica possível: quanto custaria fazer os mesmos deslocamentos por aplicativo, transporte público, assinatura de veículo ou aluguel pontual em finais de semana.

Para quem roda pouco em área urbana bem servida, a conta costuma ser menos favorável ao carro próprio do que a intuição sugere. Para quem roda muito, tem horário rígido ou depende do veículo para trabalhar, o carro geralmente vence.

O ponto não é decidir de antemão qual opção é melhor. É fazer a conta completa antes de comparar, incluindo o que não vem em forma de boleto.