Veículos e viagens
Custo total de ter um carro por mês
O custo de um carro não é a parcela nem o combustível. É a soma de depreciação, impostos, seguro, manutenção, consumo e estacionamento, dividida pelos meses em que o veículo fica com você.
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Combustível é a despesa mais visível, mas raramente é a maior. Depreciação costuma ser.
Custo fixo e custo variável
O custo fixo existe mesmo que o carro não saia da garagem: IPVA, licenciamento, seguro, garagem, financiamento e, sobretudo, depreciação.
O custo variável cresce com o uso: combustível, pneus, revisões por quilometragem, freios, óleo, pedágio e estacionamento avulso.
A separação importa porque muda a decisão. Quem roda pouco tem um custo por quilômetro altíssimo, porque o bloco fixo é diluído em poucos quilômetros. Quem roda muito diluiu o fixo, mas paga um variável grande.
A depreciação é o maior item, e o mais invisível
Um carro perde valor a cada ano, e essa perda é dinheiro real: é a diferença entre o que você pagou e o que vai receber quando vender.
Ela não aparece em nenhum boleto, o que faz quase todo mundo ignorá-la. Em veículos novos, costuma superar com folga o gasto anual de combustível.
O padrão de perda também não é linear. A queda é mais acentuada nos primeiros anos e vai se suavizando conforme o veículo envelhece, o que explica por que carros seminovos têm custo mensal de propriedade menor que zero quilômetro, ainda que gastem mais em manutenção.
Os itens que somem da planilha
| Item | Por que é esquecido |
|---|---|
| Depreciação | Não gera boleto |
| Pneus | Troca a cada vários anos, parece evento isolado |
| Revisões maiores | Correia, embreagem, suspensão aparecem de uma vez |
| Seguro com franquia | O prêmio entra, a franquia usada não |
| Garagem em casa | Vaga no condomínio tem custo mesmo sendo própria |
| Multas e lavagens | Pequenas e frequentes, somam mais do que parece |
| Custo de oportunidade | O dinheiro parado no carro deixa de render |
Somar apenas combustível e parcela produz um número que subestima muito o custo real.
Financiado, à vista ou nenhum dos dois
No financiamento, os juros entram como custo explícito. Na compra à vista, o custo equivalente é o rendimento que aquele capital deixou de gerar. Comparar as duas formas ignorando isso favorece artificialmente a compra à vista.
Uma vez apurado o custo mensal real, a comparação seguinte fica possível: quanto custaria fazer os mesmos deslocamentos por aplicativo, transporte público, assinatura de veículo ou aluguel pontual em finais de semana.
Para quem roda pouco em área urbana bem servida, a conta costuma ser menos favorável ao carro próprio do que a intuição sugere. Para quem roda muito, tem horário rígido ou depende do veículo para trabalhar, o carro geralmente vence.
O ponto não é decidir de antemão qual opção é melhor. É fazer a conta completa antes de comparar, incluindo o que não vem em forma de boleto.