Calculadora DF

Os custos que quase ninguém soma

O gasto percebido do carro próprio é o combustível. O gasto real tem quatro camadas.

Custos fixos anuais. IPVA, licenciamento, seguro e, quando existe, seguro obrigatório. Eles não dependem de quanto você roda.

Manutenção programada. Revisões, óleo, filtros, pneus, freios, bateria, alinhamento. Rateie o custo anual estimado por mês.

Custos de uso. Combustível, estacionamento, pedágio, lavagem e a garagem, se ela é paga separadamente ou embutida no condomínio.

Depreciação. A diferença entre o valor do carro hoje e o valor dele daqui a um ano, dividida por doze. Costuma ser a maior linha da conta e é a que fica invisível, porque não sai da conta corrente.

Se o carro foi financiado, há ainda os juros do contrato. Se foi comprado à vista, há o custo de oportunidade do capital parado nele.

Como montar a comparação

Item Carro próprio Aplicativo
Custo por mês sem rodar IPVA, seguro, garagem, depreciação Zero
Custo por deslocamento Combustível, pedágio, estacionamento Tarifa da corrida
Tempo Dirigir e estacionar Espera e trajeto
Disponibilidade Imediata Depende de oferta e horário
Flexibilidade Bagagem, rota, horário livre Limitada ao serviço

Some todos os custos anuais do carro, divida por doze e compare com o gasto mensal estimado em corridas para o mesmo conjunto de deslocamentos.

Use um mês típico, não o mês mais movimentado. E inclua os deslocamentos que você faria de carro mas não faria de aplicativo, porque eles distorcem a comparação nos dois sentidos.

O ponto onde a conta vira

Existe um volume mensal de deslocamentos em que os dois custos se igualam. Abaixo dele, o aplicativo tende a sair mais barato; acima, o carro dilui melhor os custos fixos.

Esse ponto depende do preço do seu carro, porque a depreciação e o seguro escalam com o valor do veículo. Um carro popular usado tem custo fixo muito menor que um seminovo caro, e desloca o ponto de equilíbrio.

Também depende da tarifa média na sua cidade e do horário em que você se desloca, já que a precificação dinâmica encarece os picos.

O que a planilha não decide

Autonomia importa. Carro serve para viagem, para emergência, para transportar volume e para regiões mal atendidas por qualquer serviço.

Do outro lado, abrir mão do carro elimina preocupação com manutenção, furto, estacionamento e revenda.

Há caminhos intermediários: manter um carro mais barato, usar aplicativo nos dias de deslocamento urbano e alugar quando precisar de mais espaço. A conta define o custo; a rotina define o que você tolera.

Perguntas frequentes

Preciso incluir a depreciação mesmo sem vender o carro?
Sim. A perda de valor acontece com ou sem venda, e é frequentemente o maior custo de ter um carro. Ignorá-la faz o carro próprio parecer muito mais barato do que é.