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Como a perda se comporta

A depreciação não é uniforme. A queda mais acentuada ocorre nos primeiros anos e vai se suavizando com o tempo, até o veículo atingir um patamar em que o valor cai lentamente.

Existe ainda a perda instantânea no momento da compra: um carro deixa de ser zero quilômetro assim que é emplacado, e isso por si só reduz o preço de revenda.

Como o percentual de perda incide sobre um valor cada vez menor, o valor absoluto perdido a cada ano diminui mesmo quando o percentual se mantém. É por isso que a depreciação pesa muito mais no orçamento de quem compra novo e troca cedo.

O que acelera e o que segura a perda

Quilometragem. Roda muito, deprecia mais. É o fator individual mais visível na revenda.

Estado de conservação e histórico. Manutenção documentada em concessionária ou oficina de referência sustenta preço. Sinistro registrado derruba.

Popularidade do modelo. Modelos com boa aceitação, peças acessíveis e rede ampla mantêm valor melhor que modelos de nicho.

Descontinuidade. Modelo saído de linha perde mais rápido, porque o mercado antecipa dificuldade de peças.

Cor e opcionais. Cores neutras e itens de série desejados ajudam. Opcionais caros raramente devolvem o que custaram.

Combustível e tecnologia. Mudanças de preferência do mercado e de regulação podem alterar o ritmo de perda de categorias inteiras.

Onde a depreciação entra na decisão

Ela aparece em três momentos.

Ao escolher entre novo e seminovo, o seminovo já teve a fase de queda mais forte absorvida pelo primeiro dono. O custo mensal de propriedade tende a ser menor, compensado por manutenção maior.

Ao decidir o momento da troca, o ponto ótimo costuma ficar depois da fase de queda acentuada e antes do início das manutenções pesadas. Trocar cedo demais paga depreciação alta; tarde demais paga oficina.

Ao comparar comprar com alugar ou assinar, a depreciação é justamente o custo que o modelo de assinatura embute e cobra explicitamente na mensalidade. Sem colocá-la na conta da compra, a comparação fica enviesada.

Estimativa, não previsão

Qualquer projeção de depreciação é uma estimativa baseada em comportamento passado do mercado.

Ela não prevê choques: mudança de tributação, alteração regulatória, recall relevante, entrada de concorrente disruptivo ou variação forte no preço de combustíveis podem mudar a curva de uma categoria inteira.

Para saber quanto seu veículo vale de fato hoje, o caminho é olhar tabelas de referência de preços médios e, principalmente, anúncios recentes do mesmo modelo, ano e versão na sua região, lembrando que preço de anúncio é pedido, não fechamento.